Não medito sentada.

Pode ser a caminhar, enquanto faço alongamentos, yoga ou pilates em casa.
Pode ser de mil formas, mas sentada parece que... não deixo a energia fluir no meu corpo.
E também confesso: só a ideia de me sentar para meditar aborrece-me. Sempre preferi fazer as coisas de forma fluida, sem esforço, sem obrigação. E talvez por isso tenha demorado algum tempo a perceber que… eu já meditava há muito tempo, sem lhe chamar meditação.
Meditava enquanto caminhava.
Caminhar sempre foi um refúgio. É por isso que procuro tanto a natureza, o mar, caminhos calmos, sítios onde possa andar durante largos minutos — ou horas, se for o caso. E se houver sol, então horas, sem dúvida.
Automaticamente entro num fluxo: alinho a respiração com o passo. Respiro fundo. Caminho. Deixo fluir.
E sem dar conta, o corpo começa a vibrar.
E é exatamente isso que acontece quando uma meditação é sentida — quando há limpeza, transmutação, ancoramento energético.
Não é só “pensar menos”.
É sentir.
Sentir o corpo, a energia a circular, o peso a sair, a presença a entrar.
Por isso acredito que encontrar a nossa forma de sentir — sem esforço — é essencial. Quanto mais fluido, melhor.
No meu caso, é o caminhar.
É a respiração.
É o som da natureza (não o barulho, o som).
É o silêncio do telemóvel.
É a felicidade simples de estar ali, a andar em paz.
Não é preciso música quando o ambiente é natural. A própria vida faz o trabalho.
Curiosamente, nesses estados, algo bonito acontece: as pessoas interagem mais. Muitas vezes, pessoas mais velhas cumprimentam-me na rua. Às vezes trocamos um sorriso, outras vezes uma palavra. As crianças olham. Os animais aproximam-se.
E acredito que não é acaso.
As pessoas sentem — tal como os animais sentem, as crianças. Quando estamos alinhados, quando estamos presentes, isso irradia. São gerados pequenos fluxos invisíveis de conexão.
No fundo, meditar também é isto:
melhorar a nossa vibração,
aumentar a nossa frequência,
permitir que a energia flua pelo corpo.
Porque não é só o que ingerimos que nos afeta. O dia-a-dia pesa. As preocupações acumulam-se. As exigências cansam-nos. Há dias em que não conseguimos “resolver tudo”.
Mas podemos calibrar.
Podemos ancorar novamente.
Podemos restabelecer.
E é por isso que meditar é essencial. Só que não precisa de ter uma forma rígida.
Precisa de ter sentido para nós.
Talvez não seja sentada.
Talvez seja a caminhar.
Talvez a ouvir música.
Talvez a desenhar.
Talvez a escrever.
Qualquer coisa que nos faça voar… e ao mesmo tempo regressar a nós.
No fundo, meditar é isso: encontrar a nossa própria maneira de tocar essa energia tão simples e tão rara que se chama paz.